"Todos nós, no fim de contas, não vivemos nem escrevemos separadamente: escrevivemos, dia a dia escravizados ao fado ineluctável de escrever o que vivemos e de viver o que escrevemos. Nem há vivências, para quem escreve, que não sejam escrevivências, - continuas secreções daquilo que se vive. [...] Há quem entenda o que isto significa; há quem saiba, por experiência própria, ou por cultura, ou por instinto, que escreviver é conseguir o milagre - ou persistir na ilusão - de se viver um pouco mais, conjurando assim a extrema fugacidade de um verbo demasiado rápido". David Mourão-Ferreirra.