Tantas coisas numa mesma cançao.

Primeiro uma guitarra. Uma guitarra de um arquivista de radiografias de um Hospital de Lisboa, que foi traido por um companheiro de trabalho, e passou um ano numa prisao por comunista, nos anos 50...

Depois uma cançao. Uma cançao para um filme de Paulo Rocha, em 1963, sobre aquelas pessoas humildes que chagavam a Lisboa, em tempos de banco e preto.

E a cançao do filme que tem um baile, um casal que dança, que dança com a melodia de Carlos Paredes e uma voz, de Teresa Paula Brito.

Que acaba por ser a mesma Teresa, irma do Antònio, aquele amigo de mais de oitenta anos do bairro de Arroios, filho do Paula Brito, o silvicultor que acabou os estudos no mesmo ano que o Vieira Natividade, aquela fotografia do meu primeiro livro... Se calhar a mais importantes de todas...

E a Teresa canta um poema lindo, de Pedro Tamen, todos tinham pouco mais ou menos de 30 anos, naquele 1963...:

Era o amor / que chegava e partia / estamos os dois / era o calor / que arrefecia / sem antes nem depois. / era o
segredo / sem ninguém para ouvir / era o engano / e era o mêdo / a morte a rir / dos nossos verdes anos / no nosso
sangue corria / o(um?) vento de sermos sós / Mas se à noite era dia / e o dia acabava em nós

http://www.youtube.com/watch?v=7UKEPTsOVsg

http://www.youtube.com/watch?v=W2X_7Gi5krs

http://www.youtube.com/watch?v=l7sB684skTc&feature=relmfu