O Botânico da Universidade de Lisboa. Vozes, olhares, memoraçoes
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- - 10.09.2006 | 0 réactions | #link | rss
- - 08.04.2006 | 1 réactions | #link | rss

Este edifício tem anexo um jardim que é um dos mais pitorescos de Lisboa, mesmo da Europa; é pelo menos, o que têm dito muitos estrangeiros. Nele se encontram espécimes da flora de todas as regiões do mundo. O jardim situa-se num declive, e isto é um dos seus grandes atributos, pelo partido que se tirou dessa inclinação para se conseguirem todos os efeitos possíveis da variada vegetação que por todo o lado desponta, tornando o conjunto de uma magnificência edénica.

in Lisboa: o que o turista deve ver. Fernando Pessoa. 1925.

 

- - 08.04.2006 | 2 réactions | #link | rss

Tornou-se um lugar muito bonito, que oferece curiosidades sobre as quais nunca lhe chamaria demasiado a atenção. A sua primeira visita deverá ser o Jardim Botânico, sobre as colinas de Oeste. Não tem igual na Europa inteira, graças a um clima em que a flora tropical prospera tanto como a da zona temperada. O jardim está cheio de araucárias, de bambus, de papiros, de iúcas e de todas as variedades de palmeiras. Aí verá com os seus olhos plantas que, no fundo, já não pertencem à actual vegetação do nosso planeta, mas a uma flora mais antiga como, por exemplo, os fetos arbóreos. Vá lá imediatamente e repare no feto arbóreo do período carbónico. È mais do que uma pequena história cultural. È toda a antiguidade da Terra!

in As Confissões de Félix Krull. Thomas Mann. 1954.

- - 03.02.2006 | 0 réactions | #link | rss

"Nunca, durante aqueles 14 anos, tivemos o mínimo atrito, coisas às vezes inevitáveis com pessoas de idade. O Prof. Palinha faleceu, porém, com 87 anos, sem nunca ter sido uma «pessoa de idade». E é principalmente essa sua admirável e rara qualidade que nos fez grande falta. Quando nos aparecia era sempre uma boa disposição que nos proporcionava pela permanente juventude que irradiava. Quando de novo desaparecia deixava-nos geralmente a rir pela história sempre nova que contava. Nunca o vi contrariado ou mal disposto. Disse-me um dia ter sonhado com uma dor de cabeça. Como nunca tivera disso (!) não podia decidir se tinha de facto sido sonho ou realidade.

Numa casa destas, onde a monotonia, as contrariedades, e as arrelias mesmo, não são raros fenómenos, é benéfico e reconfortante tudo o que seja humor e boa disposição" in Notícia da sua actividade durante os anos de 1956-1959. Flávio Resende, 1959.

 

- - 27.01.2006 | 0 réactions | #link | rss

“O Jardim Botânico de Lisboa foi construído por 4 estrangeiros, Goeze, Daveau, Navel e Cailleux, que foram os seus primeiros chefes; as nossas principais colecções botânicas coloniais foram feitas por dois estrangeiros, Welwitsch e Gossweiler; o estudo botânico dessas colecções tem sido feito por estrangeiros, embora às vezes juntos com algum português seu discípulo, que com eles colabore. Isto ensinándo-se Botânica em Portugal há mais de dois séculos! Muitos que se apercebem deste panorama, chegam mesmo a declarar que esta nossa desgraça é rácica, é geneticamente determinada. Nada mais cómodo nem mais falso!!” in A investigação científica e a importancia nacional da Universidade. Flavio Resende, 1945.

- - 20.01.2006 | 0 réactions | #link | rss

E não é pouco numa terra como é esta terra portugueza, tâo cheia de amôr como de sol, onde a flôr do sentimento nasce, se desobotoa, e cresce, desenvolvendose em côr e redolencia, como as da campinha prolifica, que maravilha rara é quando se não matisa, espontanea, de pequenas margaridas e orchideas rusticas.

Não admira de tal sorte, pois, que o jardim da Escola Polytechnica seja o mais querido e o mais estimado da população da capital.

in Illustração Portugueza, Outubro 1907. Para consultar o artigo completo em pdf (5.10M):jbactividades@hotmaíl.com

 

- - 11.01.2006 | 0 réactions | #link | rss

Para um estrangeiro, Portugal parece sempre um país de fogos. Fogos florestais. A História do JB e do Museu Nacional de História Natural tem também a sua parte de história incendiária.

A Faculdade de Ciências foi destruída por um violento incêndio na madrugada de 18 de Março de 1978. As suas instalações e grande parte do seu espólio foram reduzidas a cinzas. Desapareceu um património cultural e científico de valor inestimável: livros antigos, os exemplares únicos do Museu, as colecções, trabalhos de investigação, tudo isso foi, de vez, perdido.

Em pouco mais de 5 horas, o fogo destruiu boa parte da Faculdade. Graças à acção dos Bombeiros, foi possível isolar o Laboratório de Química (onde se sabia existir material radioactivo), evitando consequências catastróficas. A faculdade tinha sido considerada, em relatório dos Bombeiros, o edifício mais explosivo da cidade.

O fogo propagou-se rapidamente. A hipótese do curto-circuito foi afastada, pois um funcionário garantiu que o quadro de instalação eléctrica fora desligado (como habitualmente) cerca das 22:30h. O incêndio foi reivindicado por um tal “comando para a Defesa da civilização Ocidental”, grupo de estudantes de extrema direita que “não se conformou com a traição do CDS no Governo”. Naquela época, a Faculdade de Ciências era um símbolo de resistência estudantil ao fascismo.

Hoje, a maior parte dos lisboetas não conhecem o Jardim, mas ainda se lembram muito bem desse incêndio que se via de Sintra. Depois, tudo mudou. Chegou anos mais tarde a construção da nova Faculdade de Ciências (a velha Faculdade já era acanhada e insuficiente). E desde então os estudantes de ciências fizeram todos os seus estudos longe do Jardim; o Jardim Botânico deixou de ter um significado especial para a nova geração de biólogos de Lisboa. Nessa noite de Março, também ardeu um laço sentimental muito importante.

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